quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

A bondade de Deus

A bondade de Deus se manifesta baseada em sua sabedoria inescrutável, e se manifesta segundo o conselho da sua vontade. Dizer que Deus é bom não significa dizer que Deus dá todas as coisas a todas as pessoas por igual. Não! Pensar dessa forma é não conhecer o Senhor. A partir da simples observação notamos que uma pessoa recebe muita saúde e outra, menos saúde, uma recebe muitos bens e outra, menos bens, uma recebe muita capacidade e outra, um pouco menos, uma recebe muitos anos e outra menos anos, mas todas elas são objetos da bondade de Deus. E é interessante notar que a bondade de Deus também estabelece a lei das compensações, de sorte que aquela pessoa que recebe mais numa área, recebe menos noutra área, e a outra pessoa que recebe menos na primeira área, recebe mais na área em que a outra recebe menos, e assim se manifesta a sabedoria inescrutável de Deus em gerenciar o exercício da sua bondade entre as suas criaturas. Todas as criaturas são do Senhor e por isso Ele é bom para com todas elas.

Pr. Edson de Azevedo

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Humildade

Humildade não significa ter a nosso respeito opinião inferior à que merecemos, mas ter noção exata da nossa fraqueza e do nosso pecado. Somos demasiadamente fracos por nós mesmos para fazer o que quer que seja, até mesmo existir. É unicamente o poder de Deus que nos permite fazer alguma coisa, incluindo andar na direção dele. Assim, o orgulho é como um furto: os orgulhosos tomam para si mesmos a glória de Deus.

Para desenvolver a humildade pessoal ao meditar, simplesmente examine a sua vida. Suponha que todos os seus pensamentos de repente se tornassem transparentes perante o mundo. Se alguém soubesse que motivações secretas corrompem até suas ações mais nobres, você já não esperaria ser respeitado por sua bondade.

Pense como é vergonhosa a natureza do pecado, como é grande a reparação necessária para purificar-nos da culpa. Exigiu-se, nada menos que o sofrimento e a morte do Filho de Deus. Há espaço para o orgulho enquanto partilhamos de uma natureza como a nossa?

Todos nós amamos a humildade e odiamos o orgulho - nos outros.

Volte os olhos para o céu e veja como você é diferente dos anjos. Eles não contemplam a própria perfeição, mas todos compartilham a mesma alegria. Considere como é absurdo para pecadores humanos desfrutar de posições de respeito enquanto os magníficos serafins rendem homenagem somente a Deus. Que a pessoa sastifeita consigo mesma contemple nosso Senhor pregado e estendido na cruz, comparando-se com aquele resignado Salvador crucificado.

William Law
In: A biblioteca de C. S. Lewis

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Todos os decretos de Deus são um só

Como todos os decretos de Deus são um só compreensível propósito, não se pode admitir nenhum ponto de vista sobre a relação dos detalhes que tal desígnio abarca, que não admita sua plena redução à unidade. Em todo grande mecanismo, qualquer que seja o número ou complexidade de suas partes, deve haver uma unidade de desígnio. Cada parte está relacionada com outras partes, e a percepção de tal relação é necessária para uma conveniente compreensão do todo. Além do mais, como os decretos de Deus são eternos e imutáveis, nenhuma visão de Seu plano de operação que suponha a Deus propondo-se primeiro uma coisa e depois outra, pode ajustar-se à natureza de tais decretos. E, como Deus é absolutamente soberano e independente, todos Seus propósitos hão de ser decididos desde Seu interior ou de acordo com o desígnio de sua própria vontade. Não pode supor-se que sejam contingentes ou manter-se em suspenso ante a ação de Suas criaturas, ou ante qualquer coisa fora dEle mesmo. O sistema infralapsário, como o sustentam a maior parte dos agostinianos, cumpre todas estas condições; todos os detalhes particulares formam um todo compreensivo; tudo se segue em uma ordem que não supõe câmbio algum de desígnio; e tudo depende da vontade de Deus infinitamente sábia, santa e justa. O fim último é a glória de Deus. Para este fim cria o mundo, permite a queda, dentre os homens caídos elege alguns para a vida eterna, e deixa o resto à justa recompensa de seus pecados. A quem Ele elege, Ele chama, justifica, e glorifica; esta é a cadeia de ouro cujos elos não podem ser separados ou mudados. Esta é a forma em que o esquema da redenção estava na mente do Apóstolo ao ensinar-nos em Romanos 8.29-30.

Charles Hodge